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  • Antonio Netto

IPO sem banco



A lógica de governança sustentável (ESG) que passa pelo tradicional e ainda fundamental Triple Bottom Line, demanda criatividade disruptiva e agilidade do mercado. Especialmente no que toca a mercados que desenvolvem atividades na fronteira do conhecimento e que impulsionam a sociedade a mudanças profundas no modo de fazer negócios. O setor de tecnologia tem adotado práticas diferentes das tradicionais e colocado em xeque o que a gente achava que sabia sobre fazer negócios. Pequenas empresas têm oferecido soluções que a hipertrofia das grandes corporações não consegue acompanhar. Jovens e brilhantes engenheiros têm solucionado questões servindo-se de um olhar que as vistas cansadas do establishment corporativo já não consegue perceber.


Na esteira de muitas e concomitantes transformações os bancos estão sendo deixados à margem desses novos negócios. Talvez tenham se dado conta. Talvez ainda acreditem que suas operações são mais significativas do que esse mercado e que logo essa bobagem acaba. Só que não. E as indústrias podem beneficiar-se enormemente.


Uma diversidade de empresas jovens (fintechs, agtechs, whatevertechs...) têm surgido oferecendo uma miríade de novos serviços, produtos e ferramentas de trabalho cuja oportunidade não está sendo percebida pela grande indústria ou é levada à sério tarde demais. Nesse sentido, uma multidão de novos empreendimentos (não necessariamente alimentados por empreendedores jovens...) vem reinventando a forma de captar investimentos para financiar suas operações e expansão. De certo modo são executivos que entendem o fato de dinheiro tem muitas formas. Normalmente a gente se prende nas coisas que o dinheiro faz, mas se esquece de perceber o que dinheiro é de fato.


Muitas indústrias estão captando investimentos significativos por meio do direct listing, usando ou não blockchain como ferramenta. Estão abrindo seu capital, como num IPO (initial public offer) tradicional, mas sem passar pelas bolsas de valores e, mais importante, sem gastar com bancos para que esses façam o trabalho de organizar o IPO. Caso recente e notório foi o da plataforma Spotify. Apesar de parte do projeto ter seguido a lógica de mercado, deixaram de gastar com bancos.


A possibilidade de abertura de capital sem bancos e fora do mercado de bolsas traz inúmeras possibilidades a um universo imenso de empresas. De início rompe-se com a lógica do mercado em que os bancos vendem esses serviços e fazem crer, aos donos do negócio, que eles são seus clientes. Na verdade, os clientes dos bancos são os fundos de investimento para quem desejam, permanentemente, oferecer boas oportunidades, mantendo-se em suas boas graças. Uma vez concluído o IPO a relação do banco com sua empresa termina. Você não é o cliente. Pensando nisso muitas empresas nos EUA já estão oferecendo ações diretamente ao público. Isso vai muito além do crowdfunding, levanta muito mais dinheiro e te oferece a possibilidade de ser sócio da próxima grande indústria quando ainda se paga bem pouco por ação. Não passam pelos bancos e nem pelas bolsas. É legal e muito mais ágil.


Agora pense, por um minuto, no quanto sua indústria pode se beneficiar ao capitalizar-se dessa maneira. Pense em quantas indústrias nascentes podem ser investidas, a baixo custo, com retornos excelentes. Pense em investir dessa maneira. As possibilidades para escalar negócios é imensa, sem falar nas possibilidades de geração de emprego e renda de modo pulverizado. Falando apenas de um setor muito importante da economia nacional, o agronegócio, pergunte-se quantas empresas recém nascidas estão nesse momento se dedicando a revolucionar esse mercado e que são abrigadas pela EsalqTec. Quantas poderiam abrir seu capital e decolar?


Certamente os negócios de bases sustentáveis ganhariam impulso significativo no Brasil, questionando a lógica tradicional das grandes corporações e oferecendo soluções transformadoras. Assim como o pessoal do agronegócio, há uma variedade imensa de pequenas empresas que podem buscar seu lugar ao sol por meio desse tipo de abertura de capital. Resta saber se você está disposto e preparado a conhecer essas possibilidades. É assim, com atitudes positivas e desafiadoras que vamos construir e materializar realidades melhores.

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